A verdade sobre a irmandade muçulmana

alqa“Muitas mulheres gostam de apanhar e consideram adequado que o marido bata nelas apenas para fazê-las sofrer”

Al Qaradawi, o chefão da Irmandade no Egito: o que pensa este santo homem, com ar de intelectual? Parte do jornalismo ocidental o chama de “moderado”
Abaixo, escrevo sobre o que poderia chamar de “Ilusão Democrática”, que toma alguns analistas, certos de que, ao derrubar ditaduras, os povos optam necessariamente por democracia, como se ela fosse um valor que se impõe por gravidade. Operação intelectual correlata a essa é tentar fazer da Irmandade Muçulmana um grupo de cordeiros, eventualmente interessados em se manter longe do Lobo Mau imperialista — os Estados Unidos —, mas por métodos pacíficos, pela via do convencimento.

E começa, então, o jogo do contente, num esforço para tentar preservar a Irmandade de si mesma. Elbaradei, o egípcio que é Prêmio Nobel da Paz, juntou-se ao grupo. Segundo ele, Hosni Mubarak usava a organização como bicho-papão para justificar a própria tirania. É claro que o ex-ditador fazia isso. Mas pergunto: não será mesmo a Irmandade bicho-papão da civilidade? A reportagem da VEJA a que me refiro traz uma seleção de frases do xeque Yusuf Al Qaradawi, o principal líder da Irmandade no Egito. Ele revela as suas utopias. Leiam:

“Depois da libertação do Iraque, faltará conquistar Roma. Isso significa que o Islã vai retornar à Europa pela terceira vez. Vamos conquistar a Europa. Vamos conquistar a América”.
(Discurso a jovens muçulmanos feito em Toledo, nos EUA, em 1995)

“Foi com enorme pesar que ouvi o grande imã de Meca dizer que é proibido matar civis mesmo em Israel”
(Debate sobre ataques suicidas promovido pela revista Middle East Quarterly, em 2003)

“Pode até haver algumas mulheres que não concordem em apanhar do marido e vejam a punição como humilhação. Muitas mulheres, porém, gostam de apanhar e consideram adequado que o marido bata nelas apenas para fazê-las sofrer”.
(Artigo escrito em 2007 para o site IslamOnline.net)

“A obediência e a cooperação da mulher são um direito do homem. À mulher, é proibido se rebelar contra a autoridade masculina”
(do seu livro “O Permitido e o Proibido no Islamismo”)

“A circuncisão feminina (mutilação genital) não é obrigatória, mas os pais devem submeter suas filhas a ela se quiserem. Pessoalmente, sou favorável a isso”
(Artigo no IslamOnline.net, em 2007)

Encerro
Ninguém colocou essas palavras na boca de Al Qaradawi. Ele as pronunciou ou escreveu porque quis. É o principal representante da Irmandade Muçulmana no Egito e está de volta ao país. Também é uma das estrelas da emissora Al Jazeera — esta, sim, o verdadeiro “Facebook” da “revolução”.

Por Reinaldo Azevedo

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