Preparai o Caminho do Mahdi – o “João Batista islâmico”

Nos os EUA, amanhã (27/11/2014), vamos celebrar o Dia de Ação de Graças – alguns o consideram um feriado secular, mas uma maioria o consideram como um feriado quase-religioso que comemora os protestantes ingleses do século 17, que fugiram da Europa para o Novo Mundo, a fim de estabelecerem a sua versão de uma comunidade cristã. Depois de ler a quinta edição da “Dabiq”, a revista do Estado Islâmico (veja aqui), estou convencido de que o panteão de graças deve ser alargado aos líderes políticos e militares famosos que ajudaram a civilização cristã a afastar a conquista islâmica – tais como Constantino IV, Charles Martel, Don João da Áustria e o príncipe Eugene de Savoy. Graças a Deus, e a estes homens, que a lei islâmica nunca chegou a governar a Europa e, por extensão, a América.

Expandindo, esperam eles, rumo ao Sul até a cidade de Meca e sua Caaba!

Dabiq5coverNão se engane, o Estado Islâmico (anteriormente conhecido como ISIS ou ISIL), apesar dos protestos de seus apologistas, é profundamente muçulmano: a última edição da “Dabiq” cita 22 passagens do Alcorão, 31 Hadiths (as supostas palavras de Maomé), e uma legião de citações e comentários de outros estudiosos islâmicos, vivos e mortos. (Veja análises anteriores de “Dabiq”, edições 1 a 4, no site do autor, aqui). Mesmo tendo em conta a capacidade de Satanás para citar as “escrituras”, é ignorância negar a base ideológica do Estado Islâmico.

Aqui, o Estado Islâmico segue o padrão de cada publicação anterior: a explicação de uma importante figura do Alcorão e sua aplicação aos tempos modernos; os relatos de sucesso (desenfreados, é claro!) contra seus inimigos no campo de batalha e na esfera política; uma análise perspicaz do Ocidente, em especial dos Estados Unidos, os formuladores de políticas e as posições da mídia; e, puxando conjuntamente todos esses, uma narrativa escatológica que visa persuadir os muçulmanos a pegarem a estrada para Dabiq, onde a “coalizão da cruz” ou os “exércitos dos cruzados”, vão queimar na derrota.

Desta vez, a personalidade apresentada é a de João Batista, chamado “Yahya” na versão confusa do Alcorão (que funde dados separados do Antigo e do Novo Testamento, tais como o fato de identificar o pai de João). A versão islâmica é que João “foi enviado para os filhos rebeldes de Israel para guiá-los de volta para Alá” – após passar vergonha por Jesus (Isa) pelo seu atraso em fazê-lo – e que acabou morto, e assim, ele foi martirizado. “Dabiq:” “a seriedade e atenção dada aos mandamentos de Alá e da necessidade de cumpri-los, bem como o sentido de urgência e a pressa em cumpri-los, é uma forma de se energizar que pode empurrar um muçulmano para além da hesitação e levá-lo a realizar as tarefas mais difíceis no caminho de Alá”.

JohntheBeheadedjpegJoão, o “Batista / Mensageiro”, parece estar segurando a sua cabeça. É irônico que o Estado Islâmico o elogie como um grande profeta, ainda assim executa tantos da mesma forma como João foi morto por Herodes.

Continuando, “Dabiq” trompeteia (alegadas) vitórias sobre as forças curdas, fazendo propagandas zombeteiras, tal como “a única coisa que o kuffar [cristãos americanos] provavelmente achará mais impressionante e desconcertante do que a incompetência do PKK, é a decisão de Obama de continuar contando com a incompetência do PKK”.

A publicação também apresenta o seu plano para começar a cunhar as suas próprias moedas e os muitos juramentos de fidelidade feitos ao Califa al-Baghdadi por grupos na Arábia Saudita, Iêmen, Sinai, Líbia e Argélia, como prova de que não é apenas um “remanescente se aguentando”, mas que está “em expansão” como um Estado. Com a ajuda dessas novas tropas leais, o Estado Islâmico chegará à Indonésia, China, Espanha e Roma.

“Especialistas em cruzadas” da RAND [?sic?] são apresentados e citados para darem o efeito de que se está ganhando. E uma longa seção, supostamente escrita por um refém britânico, John Cantlie, zomba não apenas dos especialistas ocidentais, mas do “Robô-Obama” que comete “os mesmos erros, de novo e de novo”, e que é impotente para impedir os ataques jihadistas, pró-Estado Islâmico, em seu próprio país e que deveria ficar jogando golfe. O Estado Islâmico se regozija sobre os ataques na Austrália, no Quebec e em Nova York, alegando que “todos estes ataques foram o resultado direto da chamada [do xeique al-Baghdadi] para a ação …”.

A revista “Dabiq” em sua edição 5, termina com um Hadith de Abu Dawud sobre o Mahdi: “Mesmo que restasse apenas um dia no dunya [mundo], Alá iria alongar esse dia para enviar adiante dele um homem da minha família cujo nome corresponde ao meu nome [Maomé] e o nome de cujo pai corresponde ao nome do meu pai [Abdullah]. Ele vai encher a Terra com justiça e equidade, pois estava cheio de opressão e tirania”.

Observação:

Há pouca novidade que seja digna de nota nesta última revista do Estado Islâmico, exceto por duas coisas:

1) O fervor escatológico construído, demonstrado pela exegese de Yahya/João e que faz referência final ao Mahdi. Tenho sido perguntado em entrevistas de rádio se al-Baghdadi ou os seus seguidores o consideram o Mahdi. Com base nesta última edição da revista, eu acho mais provável que ele vê a si mesmo como quem prepara o caminho para o Mahdi – similar ao papel de Yahya/João para o Isa/Jesus; um líder que, assim como o Yahya do Alcorão, segue “o legado dos Profetas … um legado de … confronto entre os Profetas e os infiéis [que] continuou a crescer até atingir, quer seja um ponto de batalha física, ou um ponto de aniquilação pelo ataque como o castigo de Alá sobre os descrentes … “. O Califa al-Baghdadi, provavelmente espera que ele irá levar as forças muçulmanas para uma grande vitória militar contra as forças americanas (Cristãos/”Cruzados”) em Dabiq – depois que o Mahdi aparecer e assumir, tornando al-Baghdadi seu tenente leal. Até então, as decapitações, atrocidades e a limpeza Islâmica em todo o Estado Islâmico continuará em ritmo acelerado.

2) A Caaba, o espaço mais sagrado do Islã, localizado em Meca, na capa da revista em conjunto com a atenção gasta sobre seus notáveis adversários, os sauditas, ao longo dos anos é um meio claro de gritar “nós estamos indo até vocês, a família real saudita”. Talvez quando as Toyotas do Estado Islâmico virarem para o Sul, o “Robô-Obama” venha a mudar o tom sobre a inserção de tropas (“Cruzados”) na briga.

Fonte: Dcvcorp

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