“Meus filhos escorregaram de minhas mãos”


11990648_661558423979895_3521364325691039239_n“Meus filhos escorregaram de minhas mãos”.  (Pastor Marcelo Gualberto)

Quando um barco lotado de refugiados, a 500 metros da praia, começou a afundar, Abdullah Kurdi tentou salvar a sua família, mas, segundo as suas próprias palavras, “meus filhos escorregaram de minhas mãos”.

Posso imaginar, com o coração de pai e de avô, o desespero de Abdullah.

Mais tarde, o corpo de um dos seus filhos, o pequeno Aylan Kurdi, de apenas três anos, foi achado morto na praia.

Uma foto que chocou o mundo.

E foi pensando nisso que entendi: estamos todos no mesmo barco de Abdullah Kurdi.

Um barco açoitado por ondas bravias e ventos impetuosos, lotados de pais desesperados, tentando salvar seus filhos das drogas, da gravidez na adolescência, do alcoolismo, da mentira, da violência urbana, das más companhias e da perdição eterna.

Olhamos para a foto de Aylan, morto na praia, e nos emocionamos ao pensarmos na hipótese de, se no lugar dele, estivesse um filho, neto ou sobrinho.

A dor é tão grande que nos esquecemos que, pior, incomparavelmente pior, é a morte eterna.

Nossos filhos não podem escorregar das nossas mãos.

“Não geramos filhos para povoar o inferno”. Eles foram entregues a nós pelo Senhor e nós iremos entregá-los de volta ao Pai (Nosso).

Quando os filhos começam a escorregar das nossas mãos?

1) Quando não oramos por eles e com eles.

2) Quando nossas atitudes negam as nossas palavras.

3) Quando permitimos que eles desobedeçam a Deus, de forma sistemática, dentro das nossas casas.

4) Quando não colocamos limites para suas ações e palavras.

5) Quando confundimos fidelidade com cumplicidade.

6) Quando existem tios demais e pais de menos.

7) Quando terceirizamos apenas para a igreja o ensino bíblico.

8) Quando não temos tempo para ouvi-los.

9) Quando qualquer desculpa é aceita para que eles se ausentem da igreja.

10) Quando ensinamos nossos filhos a decidirem por dinheiro.

Onde estava Deus quando Aylan caiu no mar?

Ele estava onde sempre esteve.

Antes mesmo do soldado carregar seu corpo frio na praia turca, o Senhor já o havia levado no colo para casa.

Onde está Deus agora, quando o barco da nossa casa está açoitado por ventos e ondas tão ameaçadoras, e nossos filhos estão escorregando das nossas mãos, prestes a caírem no mar?

Ele está onde sempre esteve, pronto para vir ao nosso encontro, andando por cima das ondas, enfrentando ventos impetuosos e dizendo:

“Tende bom ânimo. Sou eu. Não temais”. (Marcos 6:50)

(Pastor Marcelo Gualberto)

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