Em caso de guerra, o Brasil tem como se defender?

exercito-brasileiroENTREVISTA DO COMANDANTE DO EXÉRCITO GEN. EDUARDO VILLAS BOAS AO ESTADO DE S.PAULO (02): DESTAQUES!

1. ESP: O sr. falou do risco de uma crise política atual se transformar em crise social, que isso preocupa e diz respeito às Forças Armadas. / GEN. EVB: O Exército passou 14 meses na Favela da Maré, no Rio, porque havia risco de crise social. Nos preocupa sim porque se a crise econômica prossegue, o desemprego e a falta de perspectiva aumentam e é natural que isso acabe se transformando em um problema social. E problema social que se agrava, se transforma em violência, passa a nos dizer respeito diretamente. Esse é o papel constitucional do Exército. Nosso papel é manter a estabilidade e qualquer coisa que venha eventualmente a quebrar essa estabilidade preocupa. / ESP: Mas isso não tem nada a ver com intervenção política? / GEN. EVB: Absolutamente. Não tem. E é bom que fique claro isso. O Brasil é um País com instituições sólidas e amadurecidas, que estão cumprindo seus papéis.

2. ESP: Há uma crise ética no País? / GEN. EVB: Há uma crise ética no País. Inclusive, está muito mais comum do que se pensa as pessoas pedirem que o Exército tome providências para solucionar a crise. Elas estão demandando, na verdade, os valores que as Forças Armadas representam e a sociedade está carente. Sem a restauração desses valores é difícil que o Brasil recupere trajetória de evolução, do progresso e do desenvolvimento. / ESP: A chegada do PT ao poder tem que responsabilidade nisso? / GEN. EVB: Não, absolutamente. Isso já vem de algum tempo. Essa crise ética da sociedade brasileira é um processo que não se instaura de um momento para o outro. Nem mesmo a autoridade da professora na sala de aula está sendo mais reconhecida.

3. ESP: O sr. concorda que a corrupção está instalada no Brasil? / GEN. EVB: Concordo. Mas eu diria que esse é um estado de coisas que nós vivemos. Durante a Operação Pipa, no Nordeste, 60% dos 6.800 caminhoneiros que trabalham na distribuição de água tentaram algum tipo de fraude. Não se trata de estigmatizar os caminhoneiros. Eles fazem parte da sociedade brasileira. São práticas que se tornaram comuns na sociedade e isso é a base de uma pirâmide. A medida que vai subindo, vai se potencializando. 4

4. ESP: Os cortes de gastos vão trazer problemas para as fronteiras? / GEN. EVB: Já temos problemas nas fronteiras. Apesar de todo o esforço e sacrifício de nosso pessoal, temos dificuldades para cumprir nossas missões. O Sisfron (Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras), por exemplo, já está ameaçado. A previsão original era de instalação em dez anos, de 2012 a 2022. Com os seguidos cortes, a conclusão foi adiada para 2035 e, agora, não ficará pronto antes de 2065. Ou seja, todas as tecnologias desenvolvidas de agora já estarão obsoletas. / ESP: Os nossos armamentos como os fuzis estão obsoletos? / GEN. EVB: Usamos ainda o fuzil FAL da década de 1960, que já está se tornando obsoleto. A Imbel desenvolveu o fuzil IA2, que está sendo usado pelas tropas brasileiras no Haiti. Mas ele está sendo produzido num ritmo muito menor do que seria necessário. Precisamos substituir os 226 mil fuzis. Mas só estamos comprando mil deles por ano. Também está faltando munição e isso deixa o adestramento prejudicado. / ESP: Isso quer dizer que caso precise haver emprego da Força, nós poderemos ter problemas? / GEN. EVB: Poderemos.

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