A ESPERANÇA SALVA E O DESESPERO LEVA AO ABISMO PECADO DA IDOLATRIA

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“O livro Sichot Mussar, analisando de que modo a esperança pode salvar o homem enquanto o desespero pode levar ao abismo, explica que há uma diferença básica entre o pecado da idolatria e os demais. Dizem nossos sábios que a Torá não foi entregue aos anjos, mas sim aos homens, seres falíveis. Isto significa que qualquer homem, até mesmo um Justo, pode errar. Mas o pecado da idolatria é diferente, já que segundo nossos sábios é impossível que um judeu pratique a idolatria “de um dia para o outro”. Diz o Talmud (Shabat 105: 2): “Assim é o caminho do instinto mau, primeiro convence a pessoa a fazer um determinado erro; no dia seguinte, um outro, até que acaba convencendo-o a crer no poder da idolatria”.

Isto porque no que diz respeito à idolatria, o processo de decadência espiritual é lento, não imediato. Porém, quando o povo de Israel cometeu o pecado do bezerro de ouro, as coisas foram surpreendentemente diferentes. O Todo-Poderoso disse a Moisés: “…Eles (o povo de Israel) desviaram-se rapidamente do caminho que Eu lhes ensinei e fizeram uma estátua de bezerro em ouro…”.

D’us está referindo-se ao povo que recebeu no Monte Sinai a Torá e presenciou pessoalmente a Revelação de D’us – algo único na história da humanidade. Como puderam cair tanto espiritualmente, ao ponto de adorar uma estátua? E tão rapidamente? O Talmud responde afirmando que o desespero levou-os a adorar o bezerro de ouro.

O Talmud (Sha-bat 89:1) explica que na hora que Moshé Rabe-nu subiu ao Monte Sinai para receber as Tábuas da Lei, ele comunicou ao povo de Israel que no final de quarenta dias, ao meio-dia, estaria de volta. Quando chegou o meio-dia e Moisés demorava em retornar, Satan provocou uma escuridão e um denso nevoeiro de confusão e dúvida no mundo. “Onde está Moisés?” perguntou Satan ao povo de Israel. “Subiu ao monte para receber as Tábuas da Lei”, respondeu o povo. “Mas já passou da hora marcada e Moisés ainda não voltou; sem dúvida, ele deve ter falecido e nunca mais voltará”, disse Satan. E como para comprovar a veracidade de suas palavras, fez com que o povo visualizasse uma imagem na qual os anjos carregavam Moisés sem vida. Ao ver aquilo, o povo de Israel entrou em desespero. O homem que os libertara da escravidão do Egito e através do qual D’us realizara tantos milagres e maravilhas não se encontrava mais entre eles. O que seria deles e de seus filhos dali em diante? Quem iria guiá-los pelo árduo deserto? Quem iria levar o povo até a Terra Prometida? Eis que eles tinham acabado de ver os anjos carregando Moisés, morto. Afinal, qual seria a sorte do povo a partir de então? Desesperados e abalados pelo suposto desaparecimento de seu líder, o maior entre os profetas, assustados pela escuridão que pairava sobre o mundo naquele momento, o povo de Israel tornou-se vulnerável. Somente em situações de desespero como esta, Satan pode atacar e derrubar a pessoa de uma maneira “não-convencional”.

Em momentos parecidos, o “instinto mau” que existe em cada homem não precisa mais instigá-lo para cometer atos negativos aos olhos de D’us. Não precisa mais sugerir ao homem seguir caminhos que o afastem de D’us, até chegar ao ponto de conseguir conven-cê-lo a adorar ídolos.

Em situações de desespero a pessoa se torna tão vulnerável que já decai rapidamente para os níveis espirituais mais baixos, até chegar à idolatria. Este princípio de quão destrutivo pode ser o desespero é encontrado repetidas vezes em nossos livros. Vejam este segundo exemplo: A Torá, em Gênese capítulo 4, relata a conversa entre Caim e seu irmão Abel.

O targum Yonatan Ben-Uziel explica que a intenção de Caim era dizer que “não existe julgamento nem juiz, não há mundo vindouro, tampouco recompensa e punição…” Isto é bastante difícil de entender, pois até então Caim era um homem de grande fé e adorava D’us. Segundo Nachmânides, Caim havia conseguido compreender o segredo profundo dos sacrifícios e resolveu, de livre e espontânea vontade, fazer uma oferenda a D’us. Como esse homem poderia, de súbito, negar os princípios da fé? Na realidade, tudo isso aconteceu logo após D’us ter aceito o sacrifício de Abel e rejeitado a oferenda de Caim. Quando o Todo-Poderoso rejeitou o sacrifício de Caim, este entrou em desespero total. O desespero afeta de tal maneira que pode levar o mais elevado entre os homens até aos níveis mais baixos, até mesmo ao ponto de negar a própria fé. De modo geral, nossa história faz-nos lembrar que no final de todo túnel, até o mais escuro, sempre há uma luz a brilhar.”

Morasha

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